Histórias de Dona Honorata. SARAU 2010 – 21/08 – ONG Causo narrado por Vírginia Martins Caram Causo contado pela bisneta e tataraneta de Dona Norata. Dona Honorata Rodrigues de Camargo benzia de quebrante, e para fazer o tratamento, as pessoas permaneciam dias em sua casa. Vinham do sítio, deixavam seus cavalos ou charretes em baixo das árvores do quintal, e lá ficavam até completar o tratamento, que durava uns três dias. Dona Honorata era filha de escrava com sinhô branco. Ela faleceu com 126 anos. Um escravo da fazenda onde ela vivera, conhecendo sua devoção, presenteou-a com uma imagem de São Benedito, feita à mão, em madeira. Nessa época ela já morava em Conchas na casa da esquina da Rua Pernambuco com a Rua Rio de Janeiro. Miro Alves presenciou e conta a história da panelinha da Nhá Norata, como era conhecida, e até dedicou-lhe uma música. Na sua panelinha de ferro nunca faltava comida. E todos que chegavam ela oferecia refeição. Em agradecimento seus amigos traziam víveres como arroz, abóbora, feijão, o que tivessem em suas plantações. No início era num pequeno e mal iluminado quarto, ligado à cozinha, e cuja porta era isolada com um pano, à guisa de cortina, onde guardava o Santo de madeira feito pelo escravo Mathias, e era lá que ela benzia e já havia alcançado muitas graças. Por meio de doações de seus amigos e devotos de São Benedito, ela conseguiu erigir uma pequena capela no meio de seu quintal. Essa capela era de taipa e o piso de ladrilho hidráulico. Foi demolida por um bisneto na preocupação em dividir em lotes o terreno e facilitar para a venda do terreno após o falecimento de sua neta Terezinha, há uns dez anos atrás, e reconstruindo ao lado do terreno, pegado à construção vizinha. Como São Benedito é comemorado todo dia treze de maio, que é o Dia da Libertação dos Escravos, ela passou a servir um café da manhã, pois na alvorada do dia, a Banda Lira Antoniana vinha acordá-la tocando em sua janela. A tradição começou com um café da manhã, ao longo do tempo passou a servir o almoço, e a partir de 1978 , o almoço passou a ser servido por seus descendentes. Após o falecimento de Nhá Norata, a responsabilidade passou para sua filha Maria das Dores de Camargo, depois sua neta Therezinha Nunes Martins, depois Benedita Nunes, e agora por sua bisneta Ruthe Maria Mariano e sua tataraneta Núbia Galvani Burgareli de Almeida, as quais vêm fazendo a manutenção da capelinha e seguindo a tradição do almoço servido no dia 13 de Maio. Para tanto, elas recolhem donativos e prendas dos devotos como é feito nas festas religiosas da cidade e na tradicional Festa do Divino Espírito Santo. Hoje a casa e o terreno pertencem à _________________________, pois foi vendida após o inventário. A capelinha foi reconstruída em alvenaria, porém respeitando todas as proporções e características da antiga. A porta e janelas são originais, bem como a armação da cruz que encima o telhado de duas águas, e o sino que no momento se encontra guardado. As paredes continuam sendo caiadas de branco com detalhes em azul claro. Os descendentes de Nhá Norata, bem como os cidadãos de Conchas, representados pela Oficina Cultural Joanino Maimone, na preocupação em manter a integridade do patrimônio conchense, em virtude de não ter a posse do terreno onde foi construída a capela, vêm por meio desta requisitar o estudo para tombamento da capela, estudo sobre a autenticidade do Santo em madeira, embora tenham sido acrescentados em restauro posterior a cabeça e mãos em argila, e estudo e avaliação sobre o possível Tombamento do Patrimônio Imaterial que é o Almoço de São Benedito de Nhá Honorata. Nhá Honorata é citada no livro Em Busca de Raízes, escrito por Nelsom Malheiro e Daniel Crepaldi, editado pela Ottoni editora, de Itu em 2008.
Histórias de Dona Honorata.
ResponderExcluirSARAU 2010 – 21/08 – ONG
Causo narrado por Vírginia Martins Caram
Causo contado pela bisneta e tataraneta de Dona Norata.
Dona Honorata Rodrigues de Camargo benzia de quebrante, e para fazer o tratamento, as pessoas permaneciam dias em sua casa. Vinham do sítio, deixavam seus cavalos ou charretes em baixo das árvores do quintal, e lá ficavam até completar o tratamento, que durava uns três dias.
Dona Honorata era filha de escrava com sinhô branco. Ela faleceu com 126 anos.
Um escravo da fazenda onde ela vivera, conhecendo sua devoção, presenteou-a com uma imagem de São Benedito, feita à mão, em madeira. Nessa época ela já morava em Conchas na casa da esquina da Rua Pernambuco com a Rua Rio de Janeiro.
Miro Alves presenciou e conta a história da panelinha da Nhá Norata, como era conhecida, e até dedicou-lhe uma música.
Na sua panelinha de ferro nunca faltava comida. E todos que chegavam ela oferecia refeição.
Em agradecimento seus amigos traziam víveres como arroz, abóbora, feijão, o que tivessem em suas plantações.
No início era num pequeno e mal iluminado quarto, ligado à cozinha, e cuja porta era isolada com um pano, à guisa de cortina, onde guardava o Santo de madeira feito pelo escravo Mathias, e era lá que ela benzia e já havia alcançado muitas graças.
Por meio de doações de seus amigos e devotos de São Benedito, ela conseguiu erigir uma pequena capela no meio de seu quintal. Essa capela era de taipa e o piso de ladrilho hidráulico. Foi demolida por um bisneto na preocupação em dividir em lotes o terreno e facilitar para a venda do terreno após o falecimento de sua neta Terezinha, há uns dez anos atrás, e reconstruindo ao lado do terreno, pegado à construção vizinha.
Como São Benedito é comemorado todo dia treze de maio, que é o Dia da Libertação dos Escravos, ela passou a servir um café da manhã, pois na alvorada do dia, a Banda Lira Antoniana vinha acordá-la tocando em sua janela.
A tradição começou com um café da manhã, ao longo do tempo passou a servir o almoço, e a partir de 1978 , o almoço passou a ser servido por seus descendentes. Após o falecimento de Nhá Norata, a responsabilidade passou para sua filha Maria das Dores de Camargo, depois sua neta Therezinha Nunes Martins, depois Benedita Nunes, e agora por sua bisneta Ruthe Maria Mariano e sua tataraneta Núbia Galvani Burgareli de Almeida, as quais vêm fazendo a manutenção da capelinha e seguindo a tradição do almoço servido no dia 13 de Maio. Para tanto, elas recolhem donativos e prendas dos devotos como é feito nas festas religiosas da cidade e na tradicional Festa do Divino Espírito Santo.
Hoje a casa e o terreno pertencem à _________________________, pois foi vendida após o inventário.
A capelinha foi reconstruída em alvenaria, porém respeitando todas as proporções e características da antiga. A porta e janelas são originais, bem como a armação da cruz que encima o telhado de duas águas, e o sino que no momento se encontra guardado. As paredes continuam sendo caiadas de branco com detalhes em azul claro.
Os descendentes de Nhá Norata, bem como os cidadãos de Conchas, representados pela Oficina Cultural Joanino Maimone, na preocupação em manter a integridade do patrimônio conchense, em virtude de não ter a posse do terreno onde foi construída a capela, vêm por meio desta requisitar o estudo para tombamento da capela, estudo sobre a autenticidade do Santo em madeira, embora tenham sido acrescentados em restauro posterior a cabeça e mãos em argila, e estudo e avaliação sobre o possível Tombamento do Patrimônio Imaterial que é o Almoço de São Benedito de Nhá Honorata.
Nhá Honorata é citada no livro Em Busca de Raízes, escrito por Nelsom Malheiro e Daniel Crepaldi, editado pela Ottoni editora, de Itu em 2008.
SARAU 2010 - Colégio Lúdico.
ResponderExcluir28/08/2010
Vamos que vamos.
Nossa eterna gratidão ao Colégio Lúdico.
ResponderExcluirSenhor Diretor, Coordenadora, Secretárias e Educadores.
Valeu mesmo!
Sô